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Indústria de dispositivos mira tecnologia “Made in Brazil” para reduzir importações e reforçar o SUS
O setor brasileiro de dispositivos médicos intensifica a aposta em produtos nacionais para diminuir a dependência de insumos estrangeiros e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), informou a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo). O governo incluiu o segmento nos eixos estratégicos da nova Política Industrial da Saúde, e a equiparação tributária prevista na Reforma Tributária deve apoiar a expansão da produção local.
Dados de exportação e presença internacional
Segundo a Abimo, as vendas externas de dispositivos médicos totalizaram US$ 761,6 milhões entre janeiro e agosto de 2025, alta de 6,8% ante o mesmo período de 2024. Todos os segmentos cresceram, com reabilitação (26,6%), odontologia (8,1%) e laboratório (6,3%). O setor já exporta para mais de 180 destinos e vem ganhando espaço em mercados exigentes na Europa e na Ásia, reflexo de avanços tecnológicos e maior confiança regulatória. A atividade movimenta mais de US$ 10 bilhões por ano, segundo o levantamento.
Política pública e incentivos fiscais
A inclusão do setor na Política Industrial da Saúde visa estimular a fabricação local de tecnologias essenciais. A Abimo destaca que a Reforma Tributária pode corrigir distorções ao permitir que hospitais públicos e filantrópicos tenham alíquota zero também nas compras de equipamentos nacionais, e não apenas nas importações — mudança que deve favorecer a concorrência e ampliar a produção de equipamentos hospitalares, materiais cirúrgicos, produtos de diagnóstico, próteses e instrumentos odontológicos e laboratoriais.
O governo anunciou recursos para a área: em outubro de 2024 foram destinados R$ 4,2 bilhões para modernização de laboratórios públicos e parcerias com instituições de ciência e tecnologia; em agosto de 2025 houve prioridade para produtos nacionais em compras do SUS, com R$ 2,4 bilhões para a aquisição de mais de 10 mil equipamentos para atenção básica e cirurgias.
Desafios do setor e propostas da indústria
A Abimo aponta que a carga tributária elevada e a defasagem da tabela de remuneração do SUS seguem entre os principais obstáculos ao crescimento. A entidade defende revisão dos valores pagos pelo sistema público e maior previsibilidade regulatória para garantir sustentabilidade às empresas que abastecem hospitais e clínicas.
Como resposta, a associação propõe linhas de crédito e programas de financiamento voltados à modernização do parque tecnológico hospitalar, com prioridade para equipamentos nacionais. Segundo a Abimo, essas medidas ajudariam a reduzir o déficit comercial, gerar empregos e ampliar o acesso a diagnósticos e tratamentos.













