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Moraes ordena prisão domiciliar de integrantes de rede acusada de planejar golpe
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, no sábado (27), prisão domiciliar e outras medidas cautelares contra membros de núcleos investigados por participação em um plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As ordens foram cumpridas em oito unidades da federação, com apoio do Exército Brasileiro em parte das ações.
Cumprimento das ordens e contexto imediato
A Polícia Federal executou mandados no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal. A movimentação ocorreu após a tentativa de fuga do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, preso no Paraguai ao tentar seguir para El Salvador; Vasques teve prisão preventiva decretada um dia antes.
Tipos de medidas adotadas
Além da prisão domiciliar, foram aplicadas restrições como proibição de uso de redes sociais, de contato entre investigados, entrega de passaportes, suspensão de porte de armas e proibição de receber visitas. As medidas visam limitar a capacidade de articulação dos investigados enquanto tramitam procedimentos judiciais.
Alvos principais e condenações resumidas
Ailton Gonçalves Moraes Barros — ex-major do Exército, advogado e réu do núcleo 4. Condenado pela Primeira Turma do STF a cerca de 13 anos de prisão e multa em dias-multa. Segundo a investigação, articulava a conexão entre militares e civis do grupo e tentou pressionar auxiliares de Bolsonaro a apoiar um golpe. Já foi preso em outra investigação sobre falsificação de dados de vacinação e foi expulso das Forças Armadas em 2006 por condutas disciplinares.
Ângelo Martins Denicoli — major da reserva, também do núcleo 4. Recebeu a maior pena do grupo, cerca de 17 anos de prisão e multa. É acusado de produzir e disseminar documentos falsos sobre as urnas eletrônicas; atuava na Prodesp até ser alvo de investigação em 2024. A defesa alegou excesso de acusação.
Carlos Cesar Moretzsohn Rocha — presidente do Instituto Voto Legal (IVL) e réu do núcleo 4. Condenado a sete anos e meio de prisão e multa por envolvimento na produção de relatório falso sobre supostas falhas nas urnas e por participação em organização criminosa armada. A PF o considera foragido; não foi localizado e seu advogado informou mudança de endereço. Há registros de pedidos de patente e disputas judiciais antigas sobre a urna eletrônica.
Guilherme Marques Almeida — tenente-coronel do Exército, integrante do núcleo 4. Condenado a aproximadamente 13 anos de prisão e multa. Laudos e apreensões indicam que defendeu ações além dos limites constitucionais para viabilizar a tentativa de golpe. Estava fora de sua residência na Bahia, apresentou-se às autoridades e cumpre prisão domiciliar em Goiânia.
Giancarlo Gomes Rodrigues — subtenente que teria montado uma rede clandestina de inteligência dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Condenado a 14 anos de prisão e multa. Relatórios da PF descrevem que o núcleo de inteligência paralela buscou informações para atacar opositores e explodir indicações de autoridades. A defesa questionou o controle institucional sobre a agência.
Marília Ferreira de Alencar — ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça e integrante do núcleo 2, apontado como gestor das ações do grupo. Condenada a oito anos e seis meses de prisão e multa por participação em organização criminosa armada e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito. Foi absolvida por unanimidade de alguns crimes mais graves, por dúvidas sobre dolo em atos de omissão relacionados aos ataques de 8 de janeiro.
Filipe Martins — ex-assessor para Assuntos Internacionais no governo de Jair Bolsonaro e membro do núcleo 2. Condenado a 21 anos de prisão e multa. A investigação atribui a ele a apresentação de minuta que previa medidas extraordinárias para manter o ex-presidente no poder, incluindo sugestão de prisão de autoridade do STF, e participação em encontros com militares para tentar converter apoio institucional.
Bernardo Romão Corrêa Netto — coronel do Exército e integrante do núcleo 3, apontado por planejar ações violentas contra autoridades. A PGR atribui a ele articulação junto à alta hierarquia militar e organização de encontros de forças especiais com objetivo de obter apoio para ruptura institucional e medidas coercitivas contra líderes democráticos.
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros — tenente-coronel ligado ao núcleo 3. Investigadores dizem que ele ajudou a difundir publicamente uma carta de pressão às Forças Armadas e trabalhou para enfraquecer militares contrários ao golpe, mesmo sabendo da inexistência de fraudes eleitorais.
Fabrício Moreira de Bastos — coronel do Exército que teria participado de reuniões internas de planejamento e elaborado documento estratégico chamado Ideias Força, destinado a acelerar adesões dentro das Forças e coordenar ações de desinformação e mobilização.













